Divulgado desde a semana passada com a autorização da Reitoria, o evento “Debates do Brasil: Reforma da Previdência“, organizado pelo Diretório Acadêmico da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo do Mackenzie e pelo Coletivo 4 da Manhã, que ocorreria essa quarta-feira (22/05) no saguão do prédio do curso com a presença de Guilherme Boulos, foi cancelado algumas horas antes pela própria Reitoria da Universidade Presbiteriana Mackenzie. Apesar de ausência de manifestação oficial, tudo indica que a decisão, tomada de última hora, se deu sob o fundamento do uso político do evento, o que é negado pelas entidades organizadoras.

Apesar do cancelamento do uso do espaço, o evento foi transferido para o Bar Fraternidade, na Rua Maria Antônia, onde ocorreu normalmente, com a presença de centenas de estudantes mackenzistas. Ainda pela noite de ontem, as entidades estudantis envolvidas divulgaram notas de repúdio a posição da Reitoria. O próprio Boulos se manifestou.

O ocorrido abre mais uma vez o debate sobre os limites de interferência da Reitoria em eventos desse tipo, organizado pelos estudantes, e da própria liberdade de expressão dentro do campus. Abaixo, você confere a nota das entidades.

DCE-Mackenzie: “Lamentamos que a Universidade Presbiteriana Mackenzie, através Instituto Presbiteriano Mackenzie, censure e condene, parcialmente, a discussão aberta em torno de temas políticos e socialmente relevantes dentro do ambiente universitário, responsável não só por formar profissionais mas sim cidadãos dotados de senso crítico e consciência política. Etendemos que, independentemente de posições políticas, o ato de impedir o acontecimento de um evento como esse dentro do campus é um ataque à produção dialética de conhecimento, ao livre pensar e ao pensamento crítico de seus alunos. Por fim gostaríamos de agradecer a todos e todas que participaram desse evento, em especial ao Dafam Arquitetura Mackenzie e o @coletivo 4 da manhã – bolsistas da Universidade Presbiteriana Mackenzie (UPM) pela organização do evento e o nosso sempre parceiro Fraternidade 211”.

DAFAM/DCE/Coletivo 4 da Manhã/Coletivo Feministas Onças: “Autoritária, arbitrária, desprovida de profissionalismo e antidemocrática. Assim definimos a decisão da Universidade Presbiteriana Mackenzie que censurou o debate acerca da reforma da previdência que estava previsto para o dia 22/05. O Mackenzie, novamente, se posiciona contrário aos interesses da maioria de seus alunos. Nós, estudantes, estamos a favor da democracia e da liberdade de expressão, contrários a qualquer manifestação de censura, racismo, machismo e lgbtfobia. Propusemos um debate acerca da reforma da previdência, debate este em que estariam presentes dois grandes expoentes, um favorável à reforma, a professora Zélia Pierdoná, e um contrário à reforma, Guilherme Boulos, ou seja, amplamente democrático. Já se passava das 21 horas do dia 21/05 quando nos deparamos com essa decisão que apequena a Universidade perante aos seus alunos, uma decisão totalmente desprovida de profissionalismo ao cancelar o evento faltando menos de 24 horas para seu início. Uma decisão irresponsável, mas que não nos pegou de surpresa, tendo em vista os impedimentos recorrentes de eventos organizados pelos coletivos feministas, Coletivo LGBT da Universidade e de outras entidades do movimento estudantil. Já não é de hoje que que o diálogo com a universidade, e principalmente com Instituto Presbiteriano, é intrincado no que se refere a realização da livre discussão dentro do ambiente acadêmico. É lastimável que uma instituição de ensino censure e condene, parcialmente, a discussão aberta em torno de temas político e socialmente relevantes dentro do ambiente universitário, responsável não só por formar profissionais, mas sim cidadãos dotados de senso crítico e consciência política. Entendemos que, independentemente de posições políticas, o ato de impedir o acontecimento de um evento como esse dentro do campus é um ataque à produção dialética de conhecimento, ao livre pensar e ao pensamento crítico de seus alunos. Dada à situação descrita, os organizadores do evento (Coletivo 4 da Manhã e DAFAM), decidiram manter o debate que é de extrema importância para o país e que necessita que todos os setores da sociedade, inclusive o universitário, empenhem-se sobre a questão”.

Guilherme Boulos: “A censura não adiantou. Debate lotado com mais de 500 estudantes do Mackenzie na Rua Maria Antônia sobre a Reforma da Previdência. Bolsonaro foi convidado pela Reitoria e barrado pelos estudantes. Não deixa de ser um orgulho ser barrado pela mesma Reitoria e acolhido pelos estudantes.”

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