A presente matéria analisa de forma objetiva o Ranking Universitário Folha – RUF, com enfoque no histórico da Universidade Presbiteriana Mackenzie e seu curso de Direito, abordando seus critérios e comparando com outras instituições. Todos os dados citados aqui foram retirados das publicações de 2012 à 2018 do RUF.

O RUF – Ranking Universitário Folha

De uma maneira geral, o ensino superior brasileiro não tem tradição em produzir rankings, como já acontece em maior frequência no exterior, como é o caso dos QS World University Rankings, Times Higher Education World University Rankings e Academic Ranking of World Universities.

Desde de 2012, a Folha de São Paulo publica o RUF – Ranking Universitário Folha, possibilitando uma análise mais global das Instituições de Ensino Superior (IES) brasileiras que, na maioria das vezes, aparecem de forma mais tímida ou pontual nos rankings internacionais, impossibilitando uma visão comparativa do cenário interno do país.

É preciso lembrar, antes de qualquer análise, que rankings são baseados em critérios e podem dar maior ou menor peso para determinado aspecto [para leitura e interpretação desta matéria, sugerimos que os leitores leiam e estudem a explicação e metodologia de cada critério do RUF, que está na página do ranking). No RUF de 2018, por exemplo, a nota final da IES é composta por Pesquisa (40%), Ensino (32%), Mercado (18%), Internacionalização (6%) e Inovação (4%). Cada critério tem também, dentro de sua composição, outros indicadores (saiba mais aqui).

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Por este motivo, não é raro encontrar rankings com resultados classificatórios diferentes, vez que a depender do peso e dos critérios utilizados, variações diversas podem se revelar. Há rankings, por exemplo, que dão maior espaço para a pesquisa e publicações científicas e outros que abordam com maior peso o ensino ou a recepção do mercado de trabalho. Por este motivo, os rankings não ficam imunes a críticas de metodologia, ao estabelecerem processos de avaliação com maior ou menor grau de subjetividade ou considerarem – com maior ou menor visibilidade – determinado critério.

De qualquer forma, rankings são elementos importantes de comparação e análise evolutiva das instituições, devendo ser utilizados como um dos instrumentos de avaliação, análise e resultado – dentre tantos outros possíveis e necessários.

Tão ou mais importante do que analisar a fotografia de uma instituição (o status em que se encontra), é analisar sua evolução em comparação aos anos anteriores, o que passou a ser possível com o RUF, considerando sua publicação desde 2012. Assim, nestas sete publicações do RUF, as IES podem – com maior ou menor crítica, sempre necessária – se identificarem no cenário universitário brasileiro, com suas distorções e perspectivas.

A presente matéria analisará, de forma objetiva, os números da Universidade Presbiteriana Mackenzie e do seu curso de direito.

O Mackenzie no RUF

A Universidade Presbiteriana Mackenzie atingiu uma marca histórica nestas sete avaliações. Desde 2012 (primeira publicação do RUF), o Mackenzie é o primeiro colocado entre as universidades privadas do Estado de São Paulo.

No Brasil e em comparação apenas as instituições privadas, o Mackenzie oscila sempre entre as quatro primeiras colocadas, sendo: 1º/2012; 3º/2013; 4º/2014; 4º/2014; 4º/2015; 4º/2016; 1º/2017; 2º/2018.

Quando analisamos a nota total, verificamos um aspecto de certa estabilidade. Se excluirmos a passagem de 2012 para 2013 (onde os critérios tiveram alguma variação), a diferença não passou de 4,43 pontos, sendo a melhor marca em 2013 (74,82) e a menor em 2014 (70,39). Em 2018, atingiu sua segunda maior marca, com 74,78, de um total de 100 pontos possíveis.

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Ao analisar os critérios de avaliação (ensino, pesquisa, mercado, inovação e internacionalização), vemos também um cenário de estabilidade. Para ler melhor os gráficos abaixo, vale destacar que o valor máximo de cada critério é: Pesquisa (40); Ensino (32); Mercado (18); Internacionalização (6) e Inovação (4). 2012 não aparece no gráfico, vez que considerou pontuação diferente.

Grafico-PME

Grafico - II

É importante destacar que este cenário de estabilidade também se reflete em outras universidades privadas com conjuntura semelhante ao Mackenzie, isto é, privadas e filantrópicas/sem fins lucrativos. Exemplos como as PUCs são de fácil constatação. A PUC-SP, por exemplo, no aspecto global e considerando públicas e privadas, teve o seguinte cenário: 47º/2012; 43º/2013; 54º/2014; 53º/2015; 55º/2016; 51º/2017 e 54º/2018, ficando sempre atrás do Mackenzie, que apresentou a seguinte posição na análise geral (públicas e privadas): 31º/2012; 27º/2013; 35º/2014; 32º/2015; 33º/2016; 34º/2017; 33º/2018.

Sem adentrar a uma análise crítica, pode-se dizer, objetivamente, que a Universidade Presbiteriana Mackenzie, analisando os sete anos de publicação do RUF é: (a) e melhor universidade privada do Estado de São Paulo; (b) uma das quatro melhores universidade privadas do Brasil e; (c) está entre as 35 melhores universidade (públicas e privadas) do Brasil.

Faculdade de Direito do Mackenzie

Passamos, agora, a analisar o desempenho da Faculdade de Direito do Mackenzie no RUF. Primeiro, vamos analisar a classificação do Direito-Mackenzie em todos os anos.

Avaliando apenas os cursos de instituições privadas em todo o país, o Direito-Mackenzie se posiciona sempre na 3º colocação, atrás da PUC-SP e da FVG-SP. Na classificação geral temos: 9º/2014; 6º/2015; 9º/2016; 9º/2017; 10º/2018.

O que chama atenção, entretanto, analisando os últimos cinco anos (2014/2018) é a distância de alguns indicadores. Vejamos.

No critério “Avaliação do Mercado”, o Direito-Mackenzie fica sempre na 1º ou 2º colocação. Quando olhamos para “Qualidade do Ensino”, o Direito-Mackenzie fica em 14º/2014; 10º/2015; 11º/2016; 15º/2017 e 15º/2018.

Ao analisarmos a pontuação do ENADE – Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (que compõe parte do critério de Ensino), o resultado é: 607º/2014; 605º/2015; 602º/2016; 251º/2017; 251º/2018. Considerando que o ENADE é um exame feito de três em três anos, a evolução do primeiro para o segundo triênio é nítida. Entretanto, ainda apresenta resultado abaixo da média, quando analisamos os dez primeiros colocados em todos os anos, destoando em elevado grau. Em 2014, por exemplo, dos primeiros colocados, o Mackenzie (607º) só perde para a Centro Universitário de Curitiba, que fica na 622º colocação do ENADE (36º geral), quando a PUC-SP está na 197º e a FGV-SP em 40º. Em 2018, apesar da melhoria significativa, a posição do Direito-Mackenzie (251º) ainda é distante quando comparada com a FGV-SP (25º), apesar de já se aproximar da PUC-SP (201º).

O ENADE será realizado, para os cursos de Direito, agora em 2018, o que trará impacto para o resultado do RUF em 2019.

Quando analisamos o critério de “Professores com dedicação integral e parcial”, que também compõe o critério de “Ensino”, a distância também é notada. A posição do Direito-Mackenzie: 607º/2014; 740º/2015; 655º/2016; 701º/2017 e 601º/2018. Este é um critério que não houve evolução e aparece como uma diferença grande quando analisamos outras instituições privadas, a exemplo da PUC-SP: 219º/2014; 316º/2015; 319º/2016; 301º/2017; 301º/2018; a FGV-SP: 91º/2014; 141º/2015; 132º/2016; 51º/2017; 128º/2018; e a PUC-RS: 180º/2014; 290º/2015; 441º/2016; 401º/2017; 401º/2018.

Sem adentrar a uma análise crítica, pode-se dizer, objetivamente, que a Faculdade de Direito da Universidade Presbiteriana Mackenzie, analisando os cinco últimos anos de publicação do RUF é: (a) o terceiro melhor curso de Direito de uma universidade privada no Brasil; (b) um dos dez melhores cursos de Direito do Brasil, considerando universidade públicas e privadas. Como aspecto positivo está o critério “mercado de trabalho”, em que fica sempre entre 1º e 2º lugar; no critério “qualidade de ensino”, sempre entre as quinze primeiras; com necessidade de evolução para o ENADE e o critério de “professores com dedicação integral e parcial”.

Confira todos os dados diretamente no RUF.

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