Estão abertas as inscrições para o Grupo de Estudos “Direitos Humanos e Empresas” (Mack DH&E), que possui o objetivo de aprofundar questões que envolvem direitos humanos no âmbito empresarial.

A professora Ana Cláudia Ruy Cardia, coordenadora do grupo, concedeu uma entrevista ao JP3 explicando um pouco mais sobre a iniciativa. Confira!

JP3: Como surgiu o grupo de estudos Direitos Humanos e Empresas? O grupo surgiu em qual ano?

Ana Cláudia: O grupo “Mack DH&E” foi criado em agosto de 2016. Trata-se de um grupo permanente, que tem desenvolvido pesquisas e ensejado diferentes discussões desde então.

A ideia para a criação do grupo partiu das pesquisas que eu desenvolvia previamente sobre o impacto das corporações na proteção dos direitos humanos. Comecei a trabalhar com esse tema em 2012. Ao ingressar no Mackenzie, senti a necessidade de conscientizar as alunas e os alunos da Faculdade de Direito sobre o tema e sobre as possíveis formas de evitar/mitigar tais impactos. Ademais, o fato de o Mackenzie não possuir um grupo dessa natureza me estimulou a estabelecer o grupo.

JP3: A senhora poderia falar um pouco da trajetória do grupo DH&E desde que foi criado? Quais trabalhos, atividades e objetivos foram desenvolvidos durante esse período?

Ana Cláudia: Os primeiros semestres foram dedicados ao estudo das bases gerais do tema direitos humanos e empresas. A ideia era demonstrar que há um ramo do Direito Internacional dedicado ao estudo dos impactos das empresas nos direitos humanos. Dessa forma, analisamos a normativa internacional existente, fomentando discussões sobre a necessidade ou não de termos um tratado sobre o tema e quais eram os pontos que mais influenciavam na adoção de ou rejeição ao tratado. Em seguida, estudamos casos concretos de violações aos direitos humanos por empresas, lendo, inclusive, decisões de cortes internacionais e decisões judiciais domésticas. Em 2018, trabalhamos com o eixo de educação em direitos humanos, e as alunas e os alunos desenvolveram trabalhos sobre como as empresas poderiam lidar com temas como raça, identidade de gênero/gênero/diversidade, inclusão de pessoas com deficiência, refugiados, alem do estudo da saúde dos trabalhadores nas empresas. Para o segundo semestre de 2018, vamos estudar violações aos direitos humanos por empresas dos mais variados ramos (têxtil, alimentício, tecnologia, oil and gas, mineradoras, etc.), verificando pontos divergentes e convergentes na violação aos direitos humanos e formas de responsabilização. Desenvolvemos nesse meio tempo dois eventos: um voltado ao compliance e à responsabilidade penal das empresas e outro sobre o tema “diversidade nas empresas”, com palestrantes dos mais variados ramos.

JP3: Qual sua participação como coordenadora dentro do grupo?

Ana Cláudia: Como coordenadora, sou responsável pela escolha dos materiais que serão analisados previamente e tento sempre fomentar o debate entre os membros do grupo, fazendo perguntas que provoquem o raciocínio crítico e que tragam referências muitas vezes próximas das alunas e dos alunos. Contudo, não me vejo como “dona” do grupo. Todo o conhecimento é construído de forma conjunta. Explico: a ideia de estudarmos educação em direitos humanos no primeiro semestre de 2018 foi construída após uma aluna querida dizer que acreditava que essa seria a saída para os problemas que estávamos estudando. Dessa maneira, creio que o conhecimento compartilhado é muito mais rico que o conhecimento de uma única pessoa.

JP3: Como a senhora acredita que o grupo de estudos contribui e enriquece a formação do estudante de direito, tanto acadêmica quanto profissionalmente?

Ana Cláudia: A participação em grupos de estudo é fundamental para a ampliação do conhecimento que, muitas vezes, não é aprofundado em sala de aula, dado o curto espaço de tempo que temos para apresentar os mais variados assuntos às alunas e aos alunos. As leituras também são mais profundas, de forma que há um envolvimento maior das e dos discentes na discussão das temáticas propostas. Ademais, alunas e alunos que participam de grupos de estudos não apenas enriquecem seus currículos, mas desenvolvem raciocínio crítico, senso de pesquisa e maior desenvoltura para realizar trabalhos em grupo, três pontos fundamentais no mercado de trabalho atual.

JP3: Como avalia a receptividade e o retorno dos estudantes que já participaram do grupo de estudos?

Ana Cláudia: Sou muito suspeita para responder essa pergunta. Tenho um carinho inestimável por todos os membros do grupo. Fico triste quando as alunas e os alunos saem, mas minha tristeza passa logo quando vejo que a maioria pede para continuar recebendo os e-mails e participando das discussões. Muitos que já saíram contribuem até hoje com sugestões de temas, material, indicação de palestrantes. Mas essa pergunta você precisa fazer para minhas alunas e alunos!

JP3: É necessário o domínio de outras línguas para participar do grupo de estudos?

Ana Cláudia: Preferencialmente o inglês, porque há muito material nessa língua e que não há tradução para o português. Espanhol também é desejável, mas sempre vejo o nível de domínio das alunas e dos alunos para que ninguém seja prejudicado. A ideia é expandir o conhecimento, não limitá-lo.

JP3: Visto que o grupo DH&E já realizou alguns eventos abertos para toda comunidade mackenzista, há outras atividades já programadas ou que o grupo pretende desenvolver?

Ana Cláudia: Sim! Para 2019 uma obra coletiva e um seminário sobre o tema. Quem sabe trazemos professores de fora do Brasil para os nossos cursos de verão? Essa seria uma ideia maravilhosa!

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