Desde 2017, a Academia de Letras dos Estudantes da Universidade Mackenzie (ALEMack), instituição fundada em 1956, passou a ter uma coluna semanal no JP3. Toda segunda-feira, um acadêmico publicará um texto abrindo os trabalhos da semana. Hoje, excepcionalmente quarta-feira, o JP3 publica o texto de Clara Bressan (cedeira nº 33 – Patrono Cora Coralina), aluna da Faculdade de Direito Mackenzie. Saiba mais sobre a ALEMack clicando aqui e curta a página no Facebook (aqui).

“Sob a luz cheia do luar”

Clara Bressan

Naquele dia, ela prometeu que nunca mais deixaria isso acontecer. Que não veria mais suas irmãs queimadas ou ensanguentadas. Aquilo acabara ali. Estava na hora delas finalmente terem seu reconhecimento.
A mulher pegou a roupa de uma de suas colegas mortas. Estava cheirando a carvão. Cuidadosamente, ela levou o vestido preto para as margens do rio e começou a tirar as manchas de sangue. Enquanto lavava o vestido, a lua cheia brilhava sob sua cabeça. Após terminar de limpar a roupa, ela olhou para a lua e recitou o hino delas:

“Ouça nosso grito

O grito de nossas irmãs

Companheiras de sangue ou não

Que morreram sob suas mãos

Chegará a noite

Em que quem morrerá

Não seremos nós

Nós mandaremos o fogo

Que matará

Aqueles que o atearam

E então a justiça será feita

Sob a luz cheia do luar”

Terminando a oração, a mulher levou o vestido preto consigo. Jurou que a vingança viria. As bruxas iriam ter o que mereciam.

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