Desde 2017, a Academia de Letras dos Estudantes da Universidade Mackenzie (ALEMack), instituição fundada em 1956, passou a ter uma coluna semanal no JP3. Toda segunda-feira, um acadêmico publicará um texto abrindo os trabalhos da semana. Hoje, o JP3 publica o texto de Marco Antônio Ferreira Lima Filho, ex-aluno da Faculdade de Jornalismo Mackenzie que ocupava a cadeira nº. 10 (Patrono Mario Quintana). Saiba mais sobre a ALEMack clicando  aqui  e curta a página no Facebook (aqui).

“Função de amar”

Marco Antônio Ferreira Lima Filho

O amar ficou banal. Ficou com função popular na nossa língua tão difícil e cheia de significados diferentes para algumas palavras. Nós tornamos palavras que possuem sentidos semânticos em coisas mais corriqueiras, na língua do povo. E o amar entrou no hall dessas palavras ambíguas. Mas o que aconteceu com aquele seu amar, o nosso amar? Teria ele deixado de existir? Teria ele deixado de amar?

Amar é amar o próximo. É se deixar levar pela inconsciência e pela irracionalidade. É amar algo inexistente acima de todas as outras. É se doar àquilo que faz sentido a alguém. É sentir algo que não parece fazer parte do que chamamos de sentimentos, apesar de até os seres pré-históricos terem amado. É amar a si mesmo, na idéia de que talvez você seja mesmo especial. Amar é ter o desejo de plenitude do ser do outro, como diria a idéia lacaniana. Amar é simplesmente amar.

O autor que aqui escreve ama a literatura. Ama ler e escrever. Ama tentar explicar aquilo que não se explica. Procura amar o que produz e a tudo que encontra na vida. Ama seus amigos para que o ame de volta. Ama estar fazendo com que pessoas possam amar outras coisas das quais ele ama. Ama o amor.

Mas nem tudo que amamos é amado. Alguns amam o ato de odiar. Alguns amam ser menosprezados ou, até mesmo, odiados. Alguns acreditam que amar é causar primeiro o desprezo. Outros pensam que, para amar, basta esperar ser amado. O amar vive com diversas formas, daquelas que só podemos deixar a palavra ser utilizada por cada um do jeito que esta entende que é a maneira correta. O seu amar não é o meu amar.

O nosso amor, às vezes tão ignorado, tão sozinho… Sentimos que não vale a pena amar mais. O amor ficou para aqueles que acreditam que amar valha a pena. A solidão, a desgraça corriqueira deixam que alguns percam a vontade de amar o amor. Amar um mundo injusto, corroído, mal e tão duro. Amar aqueles que não merecem ser amados. Amar a desgraça, a ironia do desastre, o desejo de não amar.

O texto é para aqueles que querem amar. Não sabem mais o que amar. Não fazem idéia de que se pode amar mais do que se ama.

1798859_10202231008928085_840807324_n