Desde 2017, a Academia de Letras dos Estudantes da Universidade Mackenzie (ALEMack), instituição fundada em 1956, passou a ter uma coluna semanal no JP3. Toda segunda-feira, um acadêmico publicará um texto abrindo os trabalhos da semana. Hoje, o JP3 publica o texto de Stellα Mendes de Oliveira, aluna da Faculdade de Direito do Mackenzie que ocupa a cadeira nº. 39 (Patronesse Agatha Christie). Saiba mais sobre a ALEMack clicando aqui e curta a página no Facebook (aqui).

Mídia é sua vida

Stellα Mendes de Oliveira

Mídia é sua vida, você a respira. Todos os dias, você leva sua mão ao bolso e checa suas redes sociais. Plim. Uma nova curtida alimenta seu ego. Quantas horas são perdidas no meio midiático em busca de informações inúteis, receitas malucas e implícita competição de curtidas, likes e folowers. Eles dizem que magreza é sinônimo e beleza. Bulimia. Eles dizem que jovialidade é o ponto alto da beleza humana. O que é ser jovem? A procura do líquido, do instantâneo, da aparência empobrece o ser humano no aspecto de vivência, afogando a espécie homo sapiens no seu próprio deleito.

Respira. Encolhe. Pose. Uma foto é tirada, mas para que? Para as deliciosas notificações que não param de aparecer no touchscreen do seu celular. Uma curtida. Cinco curtidas. 550 curtidas. Inicia-se a competição de likes no íntimo do humano. Ninguém fala, mas ela está presente, vívida em cada página da mídia. Com quantas pessoas você verdadeiramente se relacionou neste copo cheio de ilusões? Tantas respostas, tantos seguidores, e ambos você não conhece. Catalogar cada pessoa, cada ser único por meio de seus contatos, folowers e adorações – por muitas vezes – inúteis, leva ao absurdo e à loucura a busca dos mesmos, assim, perdendo a essência do verdadeiro ser em baldes enchidos até a boca de milhares de curtidas.

Empina. Segura a barriga. Checa o ângulo. Peso é discussão na atualidade. Peso ideal, corpo fitness, preenchimentos. O sentimento de ser único com beleza sem igual, é retraído a um único tipo de beleza, a – por vezes – inatingível. Está na ciência isso. A beleza mas requerida de certo tempo é sempre a mais difícil de conquistar. Nos dias atuais, beleza é sinônimo de magreza, eles dizem. Mais peito, eles dizem. Te moldar aos parâmetros deles – você interprete com quem quiser – e te deixar menos com quem era antes de passar pelo seus raios. Te muda, te repuxa, tira, põe, nunca estão satisfeitos com sua beleza. A mídia quer mais, ela quer o que é raro ter, o intocável.

Mais. Mais. E mais. Este tempo já não é o suficiente. É preciso de ser várias pessoas ao mesmo tempo, não tem como agradar a todos sendo de uma única forma. O pessoal das mídias não se importa com o bem estar dos outros, é uma busca de ser ou não ser. Vencer é sinônimo de ter mais curtidas, seguidores e contatos. O individual não é bom, não é certo, ser quem você é – no seu interior – não leva lucro a eles. O único deve ser sempre evitado, por isso, padroniza todos ao bem querer da mídia.

1798859_10202231008928085_840807324_n