Por Coletivo Feminista Leolinda Daltro

O mês internacional da mulher se encerra com um tom contraditório.

Em um período dedicado para enaltecer figuras femininas de liderança, perdemos Marielle.

Marielle Franco, executada no mês da mulher, por forças ao mesmo tempo misteriosas e tristemente previsíveis, encarnava de forma exemplar a figura feminina de liderança tão ausente nos espaços de decisão. Negra, mulher, mãe solteira, bissexual, cria da favela, aluna da primeira turma de pré-vestibular comunitário da Maré, chegara ao diploma em ciências sociais e ao mestrado em administração pública antes de eleger-se a quinta vereadora mais votada da segunda maior cidade do país. Até que fosse brutalmente interrompida, sua vida fora construída na luta contra todas as estatísticas que fazem a morte, a prisão e a pobreza os destinos mais prováveis para as mulheres e os jovens pretos e pardos neste país.

A execução de Marielle é inaceitável.

Março também nos lembrou o quanto significa discutir violência contra mulher no Brasil. Contamos com a taxa de 4,8 assassinatos em 100 mil mulheres, e ainda sim a violência contra mulher também foi tratado com ironia grotesca. O Brasil está entre os países com maior índice de feminicídio: ocupa a quinta posição em um ranking de 83 nações, segundo dados do Mapa da Violência 2015. Mesmo assim, o mês internacional da mulher viu as redes sociais tomadas por um meme transformando violência doméstica em chacota, satirizando campanhas de conscientização e apoio à vítimas.

Micro violências em forma de piada no ambiente universitário são reflexo da “seriedade” com que esses temas são tratados.

Coletivo Feminista Leolinda Daltro não se calará diante de agressões, ameaças e banalização da violência que sofremos todos os dias.

Leolinda Daltro, PRESENTE!

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