Mais antigo órgão de representação estudantil da Universidade Presbiteriana Mackenzie, com mais de 100 anos, o Centro Acadêmico Horário Lane (CAHL), entidade representativa do corpo discente da Escola de Engenharia, vive um ambiente político conturbado.

Sem eleições desde 2012, alguns alunos ingressaram com um processo judicial para nomeação de um administrador provisório. Apesar da aparente regularidade processual, a ausência de transparência, divulgação e publicidade do ato – que teve mínima consulta aos estudantes -, aliada com uma administração questionável, fez com que o CAHL se tornasse objeto de inúmeras críticas e descontentamentos.

Não bastasse a situação desconfortável e sem transparência, o Edital de Eleição publicado pelo administrador provisório, que elegeria a Diretoria Executiva de 2018, incluiu exigências que resultaram na inscrição de apenas uma chapa para o pleito.

A ausência de eleições desde 2012 e o fato do administrador provisório ter sido nomeado apenas em 2017, fez com que o CAHL ficasse sem qualquer controle e/ou lista de associados, salvo a disponibilizada pela própria Universidade, constituída pelos estudantes regularmente matriculados na Escola de Engenharia.

A inexistência desta suposta lista de “associados” foi o fundamento que embasou a impugnação das candidaturas “da oposição” pela Comissão de Eleição, apesar de todos os candidatos serem alunos regularmente matriculados na Escola de Engenharia do Mackenzie.

Segundo a Comissão de Eleição, apenas os candidatos “da situação” estariam devidamente regulares perante a entidade estudantil e, consequentemente, aptos a se candidatar. Como resultado, apenas a chapa “da situação” conseguiu se inscrever.

Não bastasse os argumentos questionáveis da Comissão de Eleição, parte dos candidatos impugnados, as vésperas da publicação do Edital, solicitaram informações junto aos Diretores em exercício sobre a suposta “lista de associados“, mas não receberam qualquer resposta.

Para colaborar com a situação crítica, o Estatuto do CAHL é cheio de falhas e imprecisões. Apenas a título exemplificativo, o documento não traz nenhuma palavra sobre um dos órgão essenciais de qualquer associação, o Conselho Fiscal.

Diante deste cenário, os estudantes da Escola de Engenharia do Mackenzie se reuniram para convocar uma Assembleia Geral Extraordinária, por meio da coleta de assinaturas de 1/5 dos membros do CAHL, com o objetivo de publicar um novo edital e afastar todos os atos praticados indevidamente pela Diretoria em exercício.

Como já era esperado, a coleta superou o número legal exigido para convocação em menos de dois dias, sendo que a AGE está prevista para acontecer dia 22/11/2017 (quarta-feira), na frente da sede da associação estudantil, com o apoio de mais de mil assinaturas.

A Assembleia Geral, como órgão máximo de qualquer associação, tem a última palavra para deliberar sobre qualquer assunto de interesse dos associados, sendo que suas decisões devem ser cumpridas por todos os associados, inclusive a Diretoria Executiva.

O JP3 acompanhará exclusivamente a Assembleia, que tem previsão de receber representantes da UNE (União Nacional dos Estudantes) e da UEE-SP (União Estadual dos Estudantes de São Paulo), além de outros Centros e Diretórios Acadêmicos do Mackenzie.

CAHL-Mackenzie