Nos últimos anos, a Universidade Presbiteriana Mackenzie foi palco de uma primavera de novos coletivos estudantis em diversas áreas. As iniciativas, apesar de não serem uma novidade no contexto e em uma análise histórica da Universidade, se apresentam desta vez com uma estrutura e uma voz mais consolidada, a fim de pautar assuntos muitas vezes marginalizados dentro do campus.

Nessa série de entrevistas especiais realizadas pelo Jornal Prédio 3 – JP3, você confere um bate papo com quatro dos coletivos mais influentes dentro do Mackenzie, muitos deles encabeçados por estudantes da Faculdade de Direito. Hoje, você confere a entrevista com o coletivo LGBT.

JP3 – Quando o coletivo foi fundado no Mackenzie?

LGBT: A ideia do Coletivo surgiu em 2013 com a criação do Conjunto Harvey Milk, uma coordenadoria do CAJMJr., do Direito, atuando com objetivo de criar alternativas na recepção dos alunos LGBTs e também fomentar palestras sobre os assuntos referentes à causa envoltos ao mundo do direito. Seu lançamento para a universidade foi um beijaço em resposta ao tratamento homofóbico constante praticado pelos seguranças. Em 2014, em função do não prosseguimento do projeto pela então diretoria do Centro Acadêmico, o Harvey passou a buscar ser a representação em todos os cursos da UPM. Em 2015, o grupo focou mais em promoção nas plataformas online e aparições em pequenos eventos acadêmicos, visivelmente mais acabado. No início de 2016, com novos membros, criou-se, da base do Conjunto Harvey Milk, o Coletivo LGBT Mackenzista, com nova comunicação visual, nome mais abrangente e aberto à participação de mais pessoas na reconstrução de um projeto vital para muitos alunos da Universidade. Na segunda metade de 2016 o Coletivo LGBT Mackenzista lançou-se oficialmente, e desde então promove reuniões, rodas de conversa, palestras e atividades que transcendem os muros da universidade, proporcionando cada vez mais a visibilidade para o grupo, seus membros e, principalmente, seu objetivo.

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JP3 – Qual o objetivo do Coletivo?

LGBT – Ser uma contra narrativa ao CIStema heteronormativo que predomina dentro do espaço acadêmico Mackenzista. Fortalecer LGBTs que não se sentem pertencentes à este espaço que é fisicamente e simbolicamente violento. Um espaço até onde a demonstração de afeto entre LGBTs é coibida. Onde pessoas trans, negras, ainda não chegaram. É não somente ser uma contra narrativa, é também ser uma nova narrativa, uma nova possibilidade, que surge da negação, do ódio, do não pertencimento e que a despeito disso tudo, resiste, existe e luta.

JP3 – A maioria dos alunos que participam, sejam ativos ou somente acompanhando as atividades do coletivo, se identificam, com ou sem dificuldade como LGBTTs perante a “comunidade mackenzista”. E o porquê disso?

LGBT – (Para responder essa pergunta, é necessário compreender que, o Mackenzie é um espaço hegemonicamente branco e da elite, dessa maneira, as dificuldades que atravessam os integrantes desse grupo, são diferentes em alguma medida). Os problemas que afligem cada sigla do movimento, também possui suas peculiaridades. Quando pensamos na letra T, por exemplo, notamos que ela ainda possui uma dificuldade maior de adentrar esse espaço. Na contramão disso tudo, o que nos une, é a crença de que juntos podemos melhorar essa realidade e tornar este espaço melhor e mais plural, para todos.  A grande maioria encontra dificuldade tanto diante dos demais alunos como diante da própria instituição. As dificuldades vão desde casos mais “pessoais”, como piadas LGBTfóbicas constantes, até casos mais graves e institucionais.

JP3 – O Coletivo possui mais o intuito de mover ações políticas ou serve como apoio aos alunos/ grupo de estudos? O que vocês esperam para o futuro do coletivo?

LGBT – Acreditamos que toda e qualquer ação do coletivo, mesmo que apenas de apoio -interna- é uma ação política uma vez que nos fortalecemos, agregando forças para permanecer dentro desse espaço, como já dito, hegemonicamente CIShetronormativo. Tentamos, contudo, mesclar ações internas com externas como palestras, rodas de conversa, etc.

JP3 – Qual a forma de ingressar no Coletivo?

Fala com a gente bebê.

 

Série “Coletivos”:

Leia também a entrevista com o Coletivo Afromack (aqui), a Frente Feminista Mackenzista (aqui) e o Coletivo Feminista Leolinda Dalva.