Nos últimos anos, a Universidade Presbiteriana Mackenzie foi palco de uma primavera de novos coletivos estudantis em diversas áreas. As iniciativas, apesar de não serem uma novidade no contexto e em uma análise histórica da Universidade, se apresentam desta vez com uma estrutura e uma voz mais consolidada, a fim de pautar assuntos muitas vezes marginalizados dentro do campus.

Nessa série de entrevistas especiais realizadas pelo Jornal Prédio 3 – JP3, você confere um bate papo com quatro dos coletivos mais influentes dentro do Mackenzie, muitos deles encabeçados por estudantes da Faculdade de Direito. Hoje, você confere a entrevista com o coletivo AfroMack.

JP3 – Quando o coletivo foi fundado no Mackenzie? 

AfroMack – O Coletivo de Negrxs da Universidade Presbiteriana Mackenzie (AFROMACK) foi criado na década de 70, foi um dos primeiros coletivos criados dentro de nossa universidade. No entanto, por muitos anos o coletivo ficou sem representação sendo reinaugurado no ano de 2014. Os anos que sucederam a sua reabertura foram marcados por diversos ataques às minorias presentes em nossa universidade, coisa que reforçou ainda mais a necessidade de sua existência e resistência.

JP3 – Qual o objetivo do Coletivo?

Afromack – O objetivo do coletivo é lutar na desconstrução do preconceito existente em nossa sociedade, sobretudo dentro do Mackenzie. É mostrar que os mais de 300 anos de escravidão sofrida ainda refletem nas desigualdades social e racial que vivenciamos, mas também é mostrar a força de um povo que aos poucos (bem aos pouquinhos) estão chegando a lugares que tradicionalmente sempre nos foram impedidos de ocupar. É promover ações que façam com que o aluno que chega à Universidade não sinta que está sozinho, mas sim que possui irmãos que entendem as suas dificuldades e que apoiarão a sua luta. Somos resistência dentro do ambiente acadêmico.

JP3 – Qual a importância dele para os membros do próprio coletivo e do Mackenzie como um todo?

Afromack – Sem dúvida o fato de ser tão discrepante o número de negros em nossas salas de aula e a falta de representação existente dentro da vida acadêmica, faz com que dentro do coletivo você sinta, de certo modo, um pertencimento. Aqui encontramos pessoas com histórias de luta semelhantes à sua, sem dúvida nenhuma é prazeroso ver um negro entrando na Universidade, mas é recompensador ver que também estamos nos formando e virando profissionais que sempre sonhamos ser.

JP3 – Como vocês costumam agir mediante a uma situação racista no meio universitário?

Afromack – Não deixamos de nos pronunciar denunciando através de nossas redes sociais, mas também buscamos ações concretas com o objetivo de impedir que estes comportamentos sejam repetidos. Dialogamos com a reitoria, sugerimos cursos de reciclagem (quando o racismo vem de funcionários, por exemplo), palestras, rodas de reunião e claro exigimos as devidas punições. Infelizmente, muitos dos ataques racistas sofridos aqui dentro de nossa universidade saíram impune visto que os agressores se utilizaram do anonimato para propagar ódio e racismo.

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JP3 – Qual é, segundo a opinião de vocês, a importância de um coletivo negro nas universidades? Principalmente dentro do direito.

Afromack – Como já mencionado anteriormente, a falta de representação e o pequeno número de negros presentes no ensino superior, faz com que um negro encontre um ambiente nem sempre receptivo. Não podemos nos esquecer de que o racismo em nossa sociedade é aquele dito “racismo velado”, muitas vezes pode ocorrer um tratamento desigual vindo de professores, perseguições desmotivadas tanto de alunos quanto de professores dentre as demais formas que sabemos que ocorrem. O coletivo existe para ajudar e apoiar o aluno que venha a sofrer estes abusos e buscando o conhecimento oriundo de cada área de conhecimento, buscamos ajudar e contribuir seja com questões jurídicas, psicológicas, filosóficas, matemáticas, nutricionais rs, felizmente somos de muitas áreas.

JP3 – Qual a forma de ingressar no coletivo?

Afromack: Os interessados podem nos encontrar através de nossa página no Facebook: Coletivo Negro Afromack. Também é possível nos contatar através do e-mail: coletivoafromack@gmail.com. Ou ainda, diretamente com os integrantes do coletivo que, felizmente, encontram-se espalhados pelos diversos cursos de graduação. Em breve, teremos além das redes sociais citadas um número de celular para receber pedidos de ajuda, denúncias e sugestões, certamente este também será um canal para que os novos membros consigam entrar em contato conosco.

Série “Coletivos”:

Leia também a entrevista com a Frente Feminista Mackenzista (aqui), o Coletivo LGBT (aqui) e o Coletivo Feminista Leolinda Dalva.