Formado pelo Mackenzie em 2013, o advogado Fábio Tayar estuda LLM na New York University. Apoiado pelo escritório onde trabalha há quatro anos, o Demarest Advogados, o antigo aluno do Direito-Mack concedeu uma entrevista para o JP3 que você confere abaixo! Não deixe também de conferir as entrevistas com antigos mackenzistas em Londres (aqui) e Haia (aqui).

JP3 – Você se formou em 2013, o que mais lembra de legal do Mackenzie?

Fábio – As amizades que ficam. Com o tempo é normal cada um seguir um rumo diferente. Uns casados, outros com filhos e outros, como eu, morando longe. Mas quando nos encontramos é como se nunca tivéssemos saído do Mack. O melhor diferencial do Mackenzie (incluindo o nome e reconhecimento!) são as amizades que ficam.

JP3 – Por qual motivo decidiu estudar fora do país?

Fabio – Inúmeros motivos me fizeram voltar aos EUA. Eu já tinha morado aqui na adolescência e sempre quis voltar. E nada melhor do que conciliar as partes profissional e pessoal. Me formei há 5 anos e estava na hora de fazer meu LLM. O Demarest, escritório em que eu trabalho há 4 anos, é também um grande incentivador de experiências acadêmicas e profissionais no exterior. A escolha pelo EUA era fácil para mim. O mais difícil foi escolher em que Universidade estudar.

Foto NYU

JP3 – Como se deu a escolha pela NYU?

Fábio – Essa parte foi a mais difícil. Como fui aceito em 6 Universidades (NYU, UPenn, Berkeley, Cornell, Duke e Northwestern), tive que colocar na balança quais eram os prós e os contras de cada universidade / cidade / custos / rankings, etc. E a escolha pela NYU se deu, em suma, porque era a melhor colocada no ranking, porque profissionalemente eu fico mais exposto ao mercado de M&A se morar em NYC e consequentemente conseguir um emprego no ano seguinte, e em terceiro lugar (novamente) porque a NYU fica no coração de NYC. O lado negativo são os custos absurdos que envolvem morar aqui e a quantidade de brasileiros que sempre estão em NYC.

JP3 – Quais diferenças você vê no mundo acadêmico do Brasil e dos Estados Unidos?

Fábio – São completamente diferentes. Aqui o aluno precisa ir preparado para a aula (meus readings de um dia para o outro chegam a somar, muitas vezes, 200 páginas!). Os professores partem do pressuposto que o aluno está 100% pronto para iniciar qualquer discussão. Além disso, aqui eu sou obrigado a fazer “x” créditos por semestre, e não tenho nenhuma obrigação de fazer qualquer matéria específica. Assim cada aluno consegue montar uma grade que cumpra com os objetivos de cada um e não é vinculado a determinada grade pré-fixada pela universidade. Há também a diferença entre civil law e case law. Aqui eles seguem estudando os casos antigos que embasam (e muitas vezes vinculam) decisões presentes. No geral, acho o sistema jurídico daqui muito mais maduro muito porque os profissionais são mais estudados e mais bem preparados que nós.

JP3 – Você trabalha ai? Conte-nos um pouco sobre como vem sendo a experiência.

Fábio – Ainda não. Vou começar a trabalhar em junho de 2018 no Cravath, Swaine & Moore LLP, sempre em M&A.

JP3 – NY é uma das mais importantes metrópoles do mundo, assim como São Paulo. Quais diferenças você percebe entre as cidades?

Fábio – As diferenças são inúmeras. Mas certamente as mais relevantes são segurança e transporte público. Ter transporte público (quase) 24h por dia e não se preocupar com a segurança são coisas que não temos ai.

JP3 – Se pudesse dar um conselho/dica para quem tem interesse de estudar/trabalhar nos Estados Unidos, o que diria?

Fábio – O processo de application para LLM nos EUA é intenso. Conseguir montar um bom application leva tempo e dinheiro. E paciência. É preciso ter em mente que cada faculdade tem suas próprias regras, requerimentos e valores para aplicar. A nota do TOEFL conta bastante também. A dica é fazer tudo com calma e começar o processo um ano antes de aplicar.