Nascida em São Paulo e formada em direito pelo Mackenzie em 2013, Bruna Guimarães Nogueira Hoffreumon mora entre em Haia, na Holanda, onde também trabalha na International Criminal Court e em Bruxelas, na Bélgica, onde estuda na Universidade Livre de Bruxelas. O JP3 teve a honra de conversar com a mackenzista no fim de setembro. Confira também outras entrevistas de antigos mackenzistas em Londres (aqui) e NY (aqui).

JP3 – O que mais lembra de legal do Mackenzie?

Bruna – As amizades, que acredito que durarão para a vida inteira. A vida de estudante também era muito legal.

JP3 – Por qual motivo decidiu morar fora do país?

Bruna – Morar fora do país sempre esteve nos meus planos. Sempre gostei de ambientes internacionais, de falar outras línguas e de conhecer novas culturas. Minha matéria preferida na faculdade sempre foi Direito Internacional. Com a crise política e econômica no Brasil, percebi que era o momento certo para buscar novos horizontes. Decidi ir fazer um mestrado na Bélgica, onde vivo atualmente.

JP3 – Hoje você trabalha na International Criminal Court, como vem sendo a experiência?

Bruna – Atualmente estou no segundo ano do meu Master e fazendo um estágio na Corte Penal Internacional em Haia como parte dos meus estudos. A experiência de viver em Haia e trabalhar na CPI tem sido maravilhosa. É como um sonho tornado realidade, tenho contato com pessoas do mundo inteiro e estou trabalhando em uma das maiores instituições de Direito Internacional do mundo. É incrível poder fazer parte desse órgão que foi o resultado de uma luta histórica internacional contra a impunidade.

JP3 – Como foram os procedimentos para conseguir esse emprego?

Bruna – A CPI divulga suas vagas de estágio no site da própria CPI e também no site da ONU. Para se candidatar é necessário enviar alguns documentos, escrever uma dissertação sobre o trabalho da Corte e enviar cartas de recomendação e de motivação. É um pouco trabalhoso e eles demoraram um pouco para darem um retorno (cerca de 3 meses), mas fiquei muito feliz ao saber que tinha sido selecionada.

JP3 – Conte um pouco sobre como é o seu dia-a-dia?

Bruna – Moro durante a semana em Haia, vou andando para a Corte todos os dias. Meu dia-a-dia é cercado de pessoas falando diferentes línguas com diferentes culturas, eu adoro. Tenho contato  com Direito Internacional e posso assistir a julgamentos sempre que tenho algum tempo livre, é muito legal. Durante os fins de semana volto para Bruxelas para ficar com meu marido e assistir à aulas na Faculdade. É corrido, mas muito gratificante.

Predio

JP3 – Quais diferenças você vê do dia a dia do trabalho no Brasil e em Haia?

Bruna – A vida em Haia é muito mais simples e calma que no Brasil. Pouquíssimas pessoas usam o carro, a população utiliza bicicletas no seu dia-a-dia para ir trabalhar e mesmo para fazer compras. No trabalho, as pessoas tendem a trazer sua própria comida e comer no refeitório aqui em Haia, o que difere do Brasil onde geralmente as pessoas saem para almoçar em restaurantes. Fora isso, o ambiente de trabalho não deve ser tão diferente de outras organizações internacionais no Brasil e no mundo.

JP3 – Haia é uma é uma cidade muito menor em comparação com São Paulo. Quais diferenças você percebe entre as cidades?

Bruna – São duas cidades muito legais, São Paulo é mais animada. Haia tem muitos bares e restaurantes, mas eu diria que é uma cidade mais calma. Além disso, Haia é muito internacional devido às inúmeras organizações internacionais presentes aqui.

JP3 – Você também estuda ai? Conte um pouco sobre como vem sendo a experiência?

Bruna – Eu estudo em Bruxelas, faço um master em Relações Internacionais na Universidade Livre de Bruxelas. É um desafio e tanto, pois as aulas são bem puxadas. Estudamos em período integral e temos muitos trabalhos para entregar durante o semestre. Eu terminei o primeiro ano, que foi o mais difícil. No segundo ano praticamente não temos aulas, apenas o estágio e o TCC.

JP3 – Se pudesse dar um conselho/dica para quem tem interesse de estudar/trabalhar na Europa, o que diria?

Bruna – A primeira coisa é aprender outras línguas. Meus estudos e meu trabalho na CPI são bilíngues: francês e inglês. Então, vale a pena investir nisso. E não tenha medo. Realizar um sonho não tem preço!